
- descer da ilusão como quem sai de um trem lotado na estação subterrânea
- dar saltos mortais ao redor do próprio centro incerto sem um traço de vertigem
- esperar do espírito as alegrias do corpo e do corpo as do espírito
- esperar que no fim das contas exista isso a que chamam espírito
- comprar um bilhete sem volta pra Pasárgada sabendo que ela não existe
- colecionar desastres como borboletas secas presas por um alfinete torto
- arrancar a metafísica como um gânglio supurado
- nunca mais olhar no retrovisor
- quebrar o retrovisor
- restar na periferia e não se importar com isso porque este lugar do mundo é o seu centro
- falar sempre em dialeto feito um hipopótamo sozinho na piscina do zoológico
- conversar com as paredes esperando sinceramente que elas respondam
- acreditar em respostas
- acreditar em alguma coisa apesar dos fatos
- expelir sua profundidade como um vômito sobre a superfície absoluta de tudo
- abortar a melancolia como tinta negra nas superfícies que forem brancas
- acordar de vez a fera no labirinto do corpo só para medir forças com ela
- andar a prumo sobre um mundo que gira em falso
- se o chão desaparecer agarrar-se pelo pescoço à corda das certezas
Promessas que se faz a si mesmo
analisando a vida, blogueiros amigos, níver Leticia 01 Novembro 2009 2 comentários |
Carta
não tenho perfeição escrita em mim
e é nossa imperfeição
que nos machuca
o tempo pode passar
mas há marcas
que seguirão conosco
para vendavais e montanhas
açucenas e mares
lágrimas sorrisos
e gozos
não há derrota
não há mais tempo
saudades, sempre.
analisando a vida, texto avulso Leticia 23 Outubro 2009 4 comentários |
Luz incomum

É outra a luz que fere cada mínimo espinhaço da água nas ondulações de um mar que implode sua fúria sobre si mesmo , para dentro , em convulsões que se enrolam como se num eixo , é outra a brisa e outra a mansidão nesta outra tarde em que você ainda retorna tarde para onde seus pés não lhe deveriam agora ter levado , ou antes para onde nunca deviam ter ido.
Como se alçassem as cordas do destino por uma grua de engrenagens secas e assim ele permanecesse , sem acessos , caixa suspensa de etiquetas mínimas e ilegíveis pela distância até o pavimento imóvel onde seus pés afundam sem que Oriente algum (ou Éfeso) lhe redimissem a espera em torno de uma dor que circunscreve sua pele em espirais e espirais até a perda de qualquer espanto ou maravilha.
poesia abstrata, repostagem Leticia 08 Setembro 2009 8 comentários |








